NADA
Para Antonio Otto de Souza, filho
Nem sei que horas são,
Talvez nem exista um relógio por perto e os
Passos na úmida grama do jardim sejam ruídos de folhas
Caindo ao chão e nem marcas deixarão no solo frio dessa manhã.
Nada.
Nem quando antes, quando o sol beijava o
Vidro da janela do meu quarto de dormir e você passava célere, a passos largos,
Como gazela correndo livre por entre a seca savana.
Mais tarde o carteiro passará sem uma notícia.
Acho que não há nada para perguntar e nem para responder, pois a tosca luz do resto da tarde voltará no outro dia e eu vou ficar sem saber que horas são.

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