Não há mais velas acesas. O grande e velho candelabro ainda paira, por sobre as cabeças dos religiosos na hora da reza. Uma beata cantarola a ladainha daquela tarde com um olho no padre e outro no sacristão. Missa do sétimo sentido. Frases em Latim. Ouvidos ligados no confessionário da ilusão. O Santo Sudário está manchado de vinho tinto seco. Um bêbado cai, quase moribundo, no átrio da igreja e diz impropérios indecifráveis e impublicáveis: talvez uma garrafa do amargo fel que verte das escadarias que levam ao Campanário o reanime. As ofertas no altar são míseros vinténs já sem vida econômica financeira aprovável no câmbio e nos cofres dos famintos. Pedintes se assentam ao longo do corredor que leva ao altar-mor, onde um santo sem a cabeça nada vê, nada faz. Enquanto isso um monge reza ao pão dele de cada dia na bem-aventurança de um pão dormido e bolorento no prato posto sobre a mesa de forro de seda chinesa, manchada pelo ósculo de um Judas cruel e marginalizado pelas santas cheias de máculas, todas amontoadas num canto empoeirado, onde vitrais multicoloridos jazem quebrados, no chão, aos teus pés. És pó e ao pó voltarás.
EXPRESSOCÓRREGOD’OURO/MACAERJBRAZIL/POESIASENOTÍCIAS
PORIZAACDESOUZA.
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