Tuesday, August 29, 2006

NADA

Para Antonio Otto de Souza, filho


Nem sei que horas são,

Talvez nem exista um relógio por perto e os

Passos na úmida grama do jardim sejam ruídos de folhas

Caindo ao chão e nem marcas deixarão no solo frio dessa manhã.

Nada.

Nem quando antes, quando o sol beijava o

Vidro da janela do meu quarto de dormir e você passava célere, a passos largos,

Como gazela correndo livre por entre a seca savana.

Mais tarde o carteiro passará sem uma notícia.

Acho que não há nada para perguntar e nem para responder, pois a tosca luz do resto da tarde voltará no outro dia e eu vou ficar sem saber que horas são.

Wednesday, August 09, 2006

Poesias do Izac de Souza

Eu encontrei algumas poesias que papai escreveu e eu copiei, acho que ele
nem sabe que existem, são de 1988, eu tinha um caderno de poesias, ele
sempre escrevia à máquina, algumas jogava fora, outras deixava sobre a
mesa, eu gostava de escrever também, e sempre à noite, um dia encontrei
essas e copiei, se der, gostaria de vê-las publicadas também, acho que ele
vai gostar.

Janine

(filha de Izac que trabalha no TJ)


FICO ESPERANDO O TEMPO PASSAR,

COMO O HORIZONTE SOLITÁRIO À ESPERA DO MAR.

SONHOS E ESTRELAS PASSAM POR ENTRE AS CORDILHEIRAS

ONDE O VERDE SOLITÁRIO

MORRE ENTRE OS ANZÓIS

QUE PEIXES DEIXARAM

SONHOS NO MAR....

E ESTE RUMO É O MEU.

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COMPREENDER O ESPAÇO QUE NOS RODEIA

E ASSEMELHAR O TEMPO COM O ESTÁGIO

NATURAL DA VIDA

COM SUAS MUTAÇÕES FREQÜENTES,

DANDO CARACTERÍSTICAS AO SEGMENTO DOS DIAS

COMO SE TIVESSE TODO O ESPLENDOR.

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QUERO DEIXAR NO ESPAÇO DO TEU CORPO

O MEU BEIJO,

ASSIM COMO A PRIMAVERA

DOS PÁSSAROS CONSTATEI

DOS LÁBIOS QUE SOLTAM PALAVRAS

DAQUILO QUE ESTÁ NO TERRENO DAS DIMENSÕES

DAS PAIXÕES.

E ESTE UNIVERSO É O PULSAR DE TODAS AS MENTES

QUE ESTÃO SOLTAS NOS PENSAMENTOS

INVARIÁVEIS DAS NOSSAS AÇÕES.

SOBRETUDO AQUILO QUE NORTEIAM AS NOSSAS ATITUDES

NOS GESTOS,

DOS BRAÇOS,

NOS ESPAÇOS QUE NOS TORNAM DOCES

COMO UMA CANÇÃO DE NINAR.

Tuesday, August 08, 2006

APOSTASIA

Não há mais velas acesas. O grande e velho candelabro ainda paira, por sobre as cabeças dos religiosos na hora da reza. Uma beata cantarola a ladainha daquela tarde com um olho no padre e outro no sacristão. Missa do sétimo sentido. Frases em Latim. Ouvidos ligados no confessionário da ilusão. O Santo Sudário está manchado de vinho tinto seco. Um bêbado cai, quase moribundo, no átrio da igreja e diz impropérios indecifráveis e impublicáveis: talvez uma garrafa do amargo fel que verte das escadarias que levam ao Campanário o reanime. As ofertas no altar são míseros vinténs já sem vida econômica financeira aprovável no câmbio e nos cofres dos famintos. Pedintes se assentam ao longo do corredor que leva ao altar-mor, onde um santo sem a cabeça nada vê, nada faz. Enquanto isso um monge reza ao pão dele de cada dia na bem-aventurança de um pão dormido e bolorento no prato posto sobre a mesa de forro de seda chinesa, manchada pelo ósculo de um Judas cruel e marginalizado pelas santas cheias de máculas, todas amontoadas num canto empoeirado, onde vitrais multicoloridos jazem quebrados, no chão, aos teus pés. És pó e ao pó voltarás.

EXPRESSOCÓRREGOD’OURO/MACAERJBRAZIL/POESIASENOTÍCIAS

PORIZAACDESOUZA.

MINO, O MARCIANO

GIRA O SOL GIRA A LUA E GIRA A TERRA EM

TEMPESTADES E TORMENTAS

E GIRA OS SEUS CABELOS TAMBÉM

LEVANDO SONHOS

DELÍRIOS E BEIJOS CONSTANTES

GIRAM POETAS

E CANÇÕES DO NORTE

DO SUL E DO OESTE

TRAZENDO CONSTELAÇÕES DE FLORES

E BUQUÊS DE ESTRELAS CADENTES EM

JARDINS DE PEDAÇOS DE CÉU

NUVENS EM FORMA DE ANJOS

OLHOS AZUIS DENTRO DA NOITE

ROSTO DE FADA MADRINHA

PÓ DE PIR LIM PIM PIM

ABRACADABRA

BRUXA MEMÉIA

A IRMÃ DE ALCEIA

ALVINHO

LULUZINHA

BOLINHA

HISTÓRIA EM QUADRINHOS

EXPRESSOCÓRREGOD’OURO/MACAÉRJBRAZIL/POESIAS&NOTÍCIAS.

PORIZAACDESOUZA

AS MANHÃS

As minhas manhãs sempre foram repletas de fatos novos. Não havia mesmice: havia meiguice e formosuras, pois cada uma delas tinha representações muitos fortes na minha maneira de interpretar os momentos vividos, como se antes nada de igual acontecera – em cores e singularidades. Cada manhã tinha patente única e representada num palco giratório de 360°. Eu vivia cada dia num horizonte de respostas à todas as perguntas feitas anteriormente. Não era preciso nenhuma resposta afirmativa. Não havia também registro de nada. O mundo estava concentrado num bloco sólido bem no centro das questões mais controvertidas possíveis. O pensamento estava escrito nos fundos das garrafas vazias e eram vendidos como alucinógeno de alufá¹ para alumiar as trevas da ignorância dos que escravizam os seus irmãos usufruindo o suor de seu labor, sem nada lhe dever por obrigação. E, uma luz progressivamente sempre aparecia. E é essa luz que vai alumiar para sempre como luz benigna que o sol; porque o sol alumia, mas abrasa: a luz alumia, e não ofende: frases de Pe Antonio Vieira, sermão afiado da nossa Literatura. Papel de avarado. Escrituras feitas com o bico da pena do gavião. Manuscritos imortais. Versos nos varais. Palavras soltas nos murais. Sacerdotes moucos pelo badalar dos sinos – dos carrinhos de pipocas. Pardais arruaceiros fazendo concertos para as cigarras. Vaga-lumes perdidos e apaixonados beijando borboletas saltitantes de desejos. Pedras no caminho? –Vejo muitas delas, um dia ainda vou fazer um castelo: -diz Fernando, o mais Pessoa dos mestres da arte de dizer com poesia o encanto da vida. E agora José? Para onde iremos se o trem das onze não vai passar hoje – o maquinista ficou apaixonado pela motorneira do bonde das dez e meia. No quadro negro palavras feitas com alvaiade. Tempos remotos. Distância dos alfabetos em hebraico, pois deles eu nada sei. Sânscrito? –nem se fala!. A palavra mais correta estava nos manuscritos dos pergaminhos do Mar Morto. Enquanto isso eu via um padre passar com o Santo Sudário debaixo do braço e sorrateiramente sumia entre a multidão aglomerada para ver o Santo Papa no papamóvel blindado e reluzente que passava ao largo. Tudo isso visto à olho nu, com panorâmica de 360°. Até mais!

¹ alufá – sacerdote do culto dos negros malês ou mulçumis.

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PORIZAACDESOUZA